
Fabuloso! é, sem dúvida alguma, a palavra que melhor descreve a sensação sentida por quem viu ao vivo os Lobos a jogarem contra os All Blacks.
Se dúvidas existiam na mente de alguém sobre a vontade, o querer, a determinação e o espírito de equipa e sacrifício dos Lobos, este jogo dissipou qualquer dúvida.
Não obstante a diferença entre as equipas que o resultado demonstra, deve dizer-se que Portugal jogou muitíssimo bem, conseguindo durante quase metade do jogo rebater de forma brilhante os ataques da Nova Zelândia.
De facto, até cerca dos vinte minutos da primeira parte Portugal perdia por 12-3 (dois ensaios monumentais da "Gazela" Rokococo) e durante os primeiros dez minutos da segunda parte a Nova Zelândia não marcou qualquer ponto por contraposição ao ensaio do Rui Cordeiro. Pelo meio, a menor capacidade física dos Portugueses não conseguiu evitar que entre os vinte minutos e o termo da primeira parte os All Blacks fizessem seis ensaios convertendo cinco pontapés de conversão. De igual forma, entre os vinte minutos da segunda parte e o fim da mesma, Portugal consentiu novamente seis ensaios.
Para além da natural diferença técnica e táctica para os All Blacks, o que ressalta é que Portugal perde por mais de 100 pontos sobretudo por falta de capacidade física para aguentar os 40 minutos de cada parte.
Se juntarmos a isto a diferença de altura e peso para os Neo-Zelandeses (que nas formações chegava aos 100 kilos!!!, no agregado) e a impressionante capacidade de alguns apenas poderem ser parados por placagens de 4 portugueses, percebemos porque o marcador foi tão dilatado.
Os factos demonstram apenas que com outras condições para a prática da modalidade, com outra vontade nacional, com outra formação de base, os Portugueses poderiam estar hoje a disputar este jogo e conseguir um muito melhor resultado (eventualmente marcando mais um ou dois ensaios - o que esteve quase a suceder, pelo menos, em uma ocasião na primeira parte - e sofrendo menos 4 a 5 ensaios, o que reduziria a diferença pontual em mais de 30 pontos).
Parabéns por isso aos Lobos que, mais uma vez, levaram o nome de Portugal bem alto.
A cada jogo que passa ganham o respeito dos adversários e dos fãs de rugby de outras selecções que não acreditavam quando dizíamos que a equipa era puramente amadora. O sentimento de todos os que por nós passavam em Lyon (onde orgulhosamente passeámos a camisola da selecção) era de que estávamos de parabéns e que Portugal se bateu muitíssimo bem.
Esta é a atitude que todos os que representam o país devem ter, sempre.
O MELHOR:
- a atitude de Portugal e o ensaio
- o Haka ao vivo e o respeito pelos hinos e pelo desafio dos All Blacks
- ver um estádio coberto de verde e vermelho
- a saudável convivência com os Neo-Zelandeses
O PIOR:
- as condições do estádio Gerland (absolutamente vergonhoso e terceiro mundista)
Nos próximos dias disponibilizarei a reportagem fotográfica da viagem.
Agora que venha a Itália!