Tuesday, 18 September 2007

FABULOSO!!!


Fabuloso! é, sem dúvida alguma, a palavra que melhor descreve a sensação sentida por quem viu ao vivo os Lobos a jogarem contra os All Blacks.

Se dúvidas existiam na mente de alguém sobre a vontade, o querer, a determinação e o espírito de equipa e sacrifício dos Lobos, este jogo dissipou qualquer dúvida.

Não obstante a diferença entre as equipas que o resultado demonstra, deve dizer-se que Portugal jogou muitíssimo bem, conseguindo durante quase metade do jogo rebater de forma brilhante os ataques da Nova Zelândia.

De facto, até cerca dos vinte minutos da primeira parte Portugal perdia por 12-3 (dois ensaios monumentais da "Gazela" Rokococo) e durante os primeiros dez minutos da segunda parte a Nova Zelândia não marcou qualquer ponto por contraposição ao ensaio do Rui Cordeiro. Pelo meio, a menor capacidade física dos Portugueses não conseguiu evitar que entre os vinte minutos e o termo da primeira parte os All Blacks fizessem seis ensaios convertendo cinco pontapés de conversão. De igual forma, entre os vinte minutos da segunda parte e o fim da mesma, Portugal consentiu novamente seis ensaios.

Para além da natural diferença técnica e táctica para os All Blacks, o que ressalta é que Portugal perde por mais de 100 pontos sobretudo por falta de capacidade física para aguentar os 40 minutos de cada parte.

Se juntarmos a isto a diferença de altura e peso para os Neo-Zelandeses (que nas formações chegava aos 100 kilos!!!, no agregado) e a impressionante capacidade de alguns apenas poderem ser parados por placagens de 4 portugueses, percebemos porque o marcador foi tão dilatado.

Os factos demonstram apenas que com outras condições para a prática da modalidade, com outra vontade nacional, com outra formação de base, os Portugueses poderiam estar hoje a disputar este jogo e conseguir um muito melhor resultado (eventualmente marcando mais um ou dois ensaios - o que esteve quase a suceder, pelo menos, em uma ocasião na primeira parte - e sofrendo menos 4 a 5 ensaios, o que reduziria a diferença pontual em mais de 30 pontos).

Parabéns por isso aos Lobos que, mais uma vez, levaram o nome de Portugal bem alto.

A cada jogo que passa ganham o respeito dos adversários e dos fãs de rugby de outras selecções que não acreditavam quando dizíamos que a equipa era puramente amadora. O sentimento de todos os que por nós passavam em Lyon (onde orgulhosamente passeámos a camisola da selecção) era de que estávamos de parabéns e que Portugal se bateu muitíssimo bem.

Esta é a atitude que todos os que representam o país devem ter, sempre.


O MELHOR:

- a atitude de Portugal e o ensaio

- o Haka ao vivo e o respeito pelos hinos e pelo desafio dos All Blacks

- ver um estádio coberto de verde e vermelho

- a saudável convivência com os Neo-Zelandeses



O PIOR:


- as condições do estádio Gerland (absolutamente vergonhoso e terceiro mundista)

Nos próximos dias disponibilizarei a reportagem fotográfica da viagem.


Agora que venha a Itália!

Tuesday, 11 September 2007

Fazer história


Poucas são as pessoas que se podem orgulhar de marcar a diferença e colocar o seu nome na história. Tomaz Morais e os seus lobos conseguiram isso mesmo, por mérito próprio e com um esforço e dedicação extraordinário, que torna mais saborosa a conquista.

A qualificação de uma equipa amadora para uma Taça do Mundo de Rugby (perdoem-me o pecadilho, mas prefiro dizer no original...) é inaudito e é uma lição que nos transporta para o espírito do que foi este desporto durante décadas. Portugal relembra por isso ao Planeta do Rugby que mais do que milhões é necessário ter paixão, paixão desenfreada por um desporto em que mais que quebrar os limites do adversário é necessário vencer os próprios limites.

Em França, no passado dia 9, Portugal voltou a fazer história ao bater-se de igual com a Escócia (mais centímetros e mais quilos, mais velocidade e mais experiência), uma velha senhora do desporto.

Portugal acabou por fazer um resultado brilhante, ao nível de outras selecções de segundo plano desta Taça do Mundo, mas que têm muitos mais anos de competição de alto nível e outros mundiais no historial, tendo conseguido por um largo período do jogo equilibrar o mesmo.

Assim se criam novos heróis nacionais...

São-no pelo esforço, pela abnegação e pelo espírito de sacrifício.

São-no, sobretudo, pela forma inesquecível como cantaram a Portuguesa, fazendo-a ouvir de forma insurdecedora no estádio. Não me recordo de alguma vez ter visto jogadores de uma selecção nacional cantarem o nosso hino com tanta paixão e depois entregarem-se ao jogo com a alegria e vontade de quem está destinado a fazer coisas muito bonitas.

Muitos parabéns Lobos!!!

Agora, dia 15 de Setembro, vem aí o jogo de uma vida.

A melhor equipa amadora do mundo defronta a melhor equipa profissional do mundo.

É mais um jogo histórico e, independentemente do resultado, estamos certos que os Lobos jogarão com a mesma alegria e empenho que no jogo com a Escócia e voltarão a encher o país de orgulho.

FORÇA LOBOS!!!


PS - lamentável é que neste país pequenino, mais pequenas sejam as mentalidades; se aqueles homens fazem tanto para elevar o nome do país, o mínimo que se podia fazer por eles e pela modalidade era transmitir os jogos da selecção nacional em canal aberto; assim dificilmente conseguimos crescer e agregar novos praticantes.